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Os ameaçados pigmeus de Camarões

Camarões: na floresta africana há cada vez menos espaço para os bakas

Matéria publicada na edição 182 (Junho/2007) de Terra


George Steinmetz/Corbis

Os bakas, pigmeus de Camarões, sofrem com a exploração da floresta africana


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A vida dos pigmeus de Camarões sempre foi como a da maioria dos povos da floresta. Enquanto uns caçam, outros pescam. Enquanto alguns buscam comida na mata, outros fazem artesanato. Enquanto uns constroem as cabanas, outros zelam pelos rituais religiosos. Como as florestas em questão são as da África Central, nunca faltaram matéria-prima e encantos para o bom andamento da carruagem. Pelo menos até alguns anos atrás, com a chegada de madeireiras estrangeiras na região.
A derrubada da floresta está transformando a vida dos bakas, como os pigmeus de Camarões são conhecidos. Com estilo de vida seminômade, os pequenos africanos tiveram sua mobilidade reduzida sensivelmente. Previsões mais duras apontam que no ritmo atual de desmatamento, em menos de duas décadas a cobertura verde pode desaparecer. Para deixar os pigmeus ainda mais ameaçados, o governo camaronês passou a cercear a caça de subsistência - não com o objetivo de proteger os animais da extinção, mas para garantir o bom suprimento dos safáris turísticos de caça. Outra ameaça à posteridade dos pigmeus camaroneses são as doenças - em especial, a Aids -, contra as quais a medicina tradicional local pouco pode fazer. Também conhecidos como babayaka, babayaga, bibaya e babinga, os bakas são apenas uma entre as muitas tribos de pigmeus espalhadas pela África Central. São apenas alguns milhares de indivíduos - as estimativas, bastante imprecisas, variam de 5 mil a 25 mil. Nenhum deles cresce além de 1,50 metro e todos rejeitam o termo pigmeu, considerado pejorativo.